Grafite com o rosto de Nicolás Maduro em Caracas
Apoio à captura de líder venezuelano correspondeu ao dobro das críticas feitas online, de acordo com análise de publicações feita pela consultoria Ativaweb
A maior parte dos brasileiros se colocou a favor da captura de Nicolás Maduro, detido pelos Estados Unidos no último, mostram dados obtidos nos últimos dias pela consultoria Ativaweb a partir da análise de publicações sobre o tema nas redes sociais. Segundo o levantamento, 56% a 62% das postagens sobre o assunto foram favoráveis à prisão do líder venezuelano, enquanto 20% a 28% das menções foram contrárias. A pesquisa também indica que 16% a 26% das publicações tiveram o teor neutro.
Os dados também mostram que o Brasil acumulou nos últimos dias cerca de 2,7 milhões de citações ao assunto, ocupando o sexto lugar no ranking de países que mais comentam sobre o tema nas redes sociais Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube. Mundialmente, foram contabilizadas 36,9 milhões de menções, das quais 68,4% foram favoráveis à prisão, 16,7% contrárias e 14,9% neutras. A consultoria também identificou que a imagem de maior repercussão foi o registro de Maduro de óculos escuros, fone de ouvido, mãos e pés algemados, sentado dentro do navio de guerra americano Iwo Jima.
Como mostrou o GLOBO, no Brasil, a incursão ampliou os embates entre direita e esquerda na condução da política externa e colocaram a crise no país vizinho no centro do debate neste início de ano eleitoral. De um lado, governadores que tentam se viabilizar como oposição em outubro e parlamentares bolsonaristas buscaram explorar a relação entre o líder venezuelano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro, a esquerda retomou o discurso de soberania nacional, inaugurado contra o tarifaço, ao criticar a ofensiva americana.
No Planalto, a avaliação é que o tom a ser adotado já foi explicitado na nota divulgada pelo presidente horas depois da invasão. A estratégia é condenar os ataques e defender, sobretudo, a soberania dos países e o Direito Internacional. Não haverá defesa da figura de Maduro, segundo um auxiliar do petista. Foi a linha adotada pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que usou suas redes para rebater nominalmente dois dos principais governadores presidenciáveis, Ratinho Júnior (PSD-PR) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Em vídeo, Tarcísio afirmou que a permanência de Maduro no poder só foi possível porque houve “conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”, enquanto exibia imagens de Lula e Maduro. O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), pediu que “a queda de Maduro sirva para que o povo venezuelano reencontre finalmente a paz”, e o de Goiás, Ronaldo Caiado (União), afirmou desejar “que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem”. Os dois, no entanto, evitaram citar Lula e PT.
Em outra frente, a esquerda aposta na retomada do discurso em defesa da soberania nacional, que ajudou Lula a recuperar a popularidade após o tarifaço de Trump. O tema tem prevalecido em grupos de WhatsApp que reúnem influenciadores ligados ao PT e nas primeiras reações de parlamentares. Além de reforçar essa bandeira, aliados defendem dar visibilidade a declarações de políticos da direita que, num primeiro momento, apoiaram a pressão do americano sobre o Brasil e, depois, foram criticados.
Esses aliados de Lula também defendem que a disputa política seja reforçada pela atuação dos partidos. O PT, por exemplo, deverá incluir a defesa da soberania na América Latina em atos que a sigla já vinha convocando por ocasião do dia 8 de janeiro. Segundo um integrante da legenda, além do mote da defesa da democracia brasileira, esse tema deverá ser incorporado nas manifestações, assim como nas publicações nas redes. No próprio sábado o PT divulgou nota condenando os ataques.
Fonte:
O GLOBO Por Rafaela Gama - RJ - Foto: Juan Barreto
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